Olhando a lareira
O fogo a consumir Impiedosamente a lenha
Parei e pensei
Quantas vezes fugi?
Quantas vezes corri?
Quantas vezes hesitei?
Quantas vezes tive medo?
Talvez,
Lá no fundo
Eu ainda seja uma criança
Talvez
A criança reprimida
Os gritos sufocados
O choro seco
A alma indecisa
Quantos foram feridos?
Pelas minhas falhas?
Quantos? Quantos?
O fogo arde
Hipnotizante ele o é
O observo
Incapaz de não fazê-lo
Para o fogo
Nada importa
Fora queimar
Como ele é simples!
Obstáculos são removidos
Tudo vem depois
Obstáculos são removidos
Queima! Queima! Queima!
O peito dói
Eu fujo
Distraio a mente
O medo invade
Eu fujo
Distraio a mente
Pergunto-me
Quando me tornarei homem
Nunca, provavelmente
Não nasci homem
Sim, este corpo é de um ser humano
Contudo,
A alma destinada a ele
Morreu há muito
Tomei seu lugar
Com uma condição
A realização de um sonho
Tornar o impossível possível
Quando tomei posse
Uma parte do antigo continuou
Prende-me ao mundo humano
Impõe limites
Devido a ela
Sou capaz de ser humano
Mesmo não sendo
Paradoxal, não?
O fogo
A vida
São parecidos
Os dois
São simples
Os dois
Seguem adiante
Nós,
Humanos
Inumanos
Que os estragamos
Vemos
O que não existe
Complicamos
O que não deve
Criamos
Guerras
Dor
Confusão
Simplesmente
Por não
Seguirmos
O caminho
Culpamos outros
Quando erramos
Culpamos outros
Por nossas fraquezas
Fazemos isso
Sem perceber
Estamos acostumados
Tornamo-nos autômatos
Quero mudar o mundo
Sempre desejei isso
Mas como?
Se eu mesmo não mudo?
Aquela, antiga, promessa
Será quebrada
Àquela, antiga, promessa
Peço perdão
Mudarei
Crescerei
Torname-ei digno
Observem minhas amadas
Quando for à hora
Reencontraremos-nos
E então
Somente então
Daremos inicio
A jornada
Quem com o fogo fere
Com o fogo será ferido
Certo?
E quem com as palavras fere?
Nunca quis tomas SEU lugar
Amada Mãe
Nunca quis
Acho que sempre soube, não?
Quero encontrar
Desejo encontrar
Sonho encontrar
Meu lugar
Serei eu
Como o impiedoso Fogo?
Como a graciosa Lua?
Como a simples a Grama?
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